Venom em São Caetano - 2009

 

 

 

12 de dezembro de 2009 - VENOM em SCS

DIA DA TOSQUEIRA!!

   2009: Um ano onde grandes esperas pessoais chegaram ao fim!

Em abril, Kiss, com maquiagens, de volta ao Rio, após 26 anos!

Em maio, Black Sabbath com Dio (Heaven and Hell) no Brasil, após 17 anos!

No domingo anterior ao show do Venom, Flamengo campeão brasileiro, após 17 anos!

Finalizando, Venom no Brasil, após 23 anos! 

Chegando a São Caetano do Sul por volta das 18 hs, me dirigi ao Victoria Hall (na verdade, Victoria Hell, por um dia). O movimento ainda era bastante fraco, mas após cerca de 03 minutos, eu e uns poucos privilegiados que já estavam por ali, em um bar localizado no outro lado da rua, pudemos escutar a intro do Venom, aquela famosa "Ladies and Gentlemen...". Era a produção testando o som.

E estava realmente alto...

Encontro um casal, e alguns velhos amigos de shows, e resolvemos fazer um lanche no shopping, localizado na mesma rua do Victoria Hall.

Ao ver Papai Noel, alguém teve a infeliz ideia de agradecer pelo presente antecipado de natal, o que resultou numa das fotos mais toscas de toda história do ABC paulista:
 

Reparem como em São Caetano o bom velhinho

mede 1,50 m, é negro, magro, e usa óculos!
Quando deixamos o shopping, de volta ao Victoria Hall, já era noite em SCS. E a expectativa parecia tomar conta dos DIE HARDs que chegavam de toda parte do país, para o evento do ano. Muitos iriam ver o Venom pela primeira vez, outros esperavam desde 1986 pelo retorno dos criadores do Metal Extremo. A acanhada fachada do Victoria Hall, com o logo da banda, e os fãs alucinados chegando, trouxe imediatamente a lembrança das imagens iniciais do vídeo "Combat Tour", quando Venom, Slayer e Exodus dividiram o palco do Studio 54, lá no meio dos anos 80.

Atmosfera "Combat Tour" total...

Mais encontros com pessoal do Rio, Luciano, Leon, Afonso, Abaddon-dos-Pobres, Kerry Kiko, e com o pessoal de São Paulo, da comunidade do Venom no Orkut, Andy Priest, Giovanni, Anderson, Júlio, Milena, Maurício. Ao lado do Victoria Hall, havia um carro vendendo Cerveja, tocando o "Possessed by Fire", do saudoso Exumer...


Desta vez não assisti às bandas de abertura. Por volta de 23h 30 min, o público já tomava quase completamente a pista da casa de show, que tem capacidade para 4.000 pessoas. Surgem então os primeiros coros de "Venom, Venom", enquanto o último CD do Slayer, "World Painted Blood", era tocado como som ambiente.

Brazilians Legions...

    Mais cinco ou seis minutos, as luzes se apagam, com exceção de feixes vermelhos que iluminavam o palco, com o nome da banda. Uma intro com um tom sombrio é iniciada, e, após 02 intermináveis minutos, a advertência mais esperada dos últimos 23 anos ecoa em um volume espantoso:

 

"LADIES AND GENTLEMEN...
FROM THE VERY DEPTHS OF HELL...
VENOOOOOOOOOOOOOOOOOM...."

 

O playback dos primeiros ruídos de "Black Metal" anuncia a música que nomeou um estilo inteiro. Êxtase total, com todo o público cantando o refrão. Ao final desta, Cronos apresenta a banda, e os acordes de "Welcome to Hell" aparecem, faixa que batiza o disco mais influente e inovador da história da música. "Welcome to Hell" foi tocada na velocidade original do disco, diferente, por exemplo, do que ocorre na veloz versão do vídeo ao vivo de 85, em Londres.
 

Fim da espera de 23 anos...

Primeira comunicação de Cronos com a plateia, anunciando "Bloodlust". Rodas e mais rodas, o Victoria Hall parecia mais um grande liquidificador.

As próximas foram as mais recentes "Antechrist" e "Straight to Hell".

"Countess Bathory" foi, sem dúvida, um dos pontos altos da noite. Essa é daquelas faixas que extrapolam o universo dos seguidores do Venom, algo como ocorre com a "I Love it Loud", do Kiss (todo mundo conhece alguém que diz "não gosto do Kiss, mas gosto da "I Love it Loud"").

Cronos, com a cirurgia que fez no pescoço há cerca de 05 anos, após ter sofrido queda praticando alpinismo, já não se movimenta mais como antes, nem faz mais aqueles headbanging-hélice, tão comuns nos antigos vídeos do Venom. Mas ninguém perecia realmente se importar tanto com aquilo, afinal, estava no palco uma das últimas lendas verdadeiras da história do Heavy Metal.

"Counteeeeeess...Bathory...Countesssss..."

O altíssimo som do Victoria Hall acabou embolando muito os instrumentos, mas essa tosqueira sonora sempre foi quase sinônimo de Venom ao vivo, na verdade serve até como diferencial. O grande problema era o fato de o volume da voz estar mais baixo do que dos outros instrumentos.

"7 Gates of Hell" é a próxima, essa música tem entrado e saído dos setlists nos últimos tempos, e é um ótimo exemplo do que é o som e a proposta do Venom. Seus últimos acordes deram início à "Hell", faixa-título do último álbum, esta mais cadenciada, mas muito boa também.

Aliás, tocaram todas as faixas-título da fase Cronos.

Cronos então menciona a tour no Brasil 23 anos atrás, fala que ficou impressionado em como os chilenos berraram no show, diz estar gostando muito da passagem pelo continente. Aproveita para frisar que será um show abordando todas as fases do conjunto, parte por parte.

A intro de "Possessed", aquela com vozes de crianças, começa a ser tocada em playback. "Possessed" foi um disco que não teve tanto reconhecimento quando foi lançado, mas a verdade é que não fica nada a dever aos 3 lançamentos anteriores. É um disco pouco lapidado, pouco ensaiado, mas (ou até por isso) conta com um som sujo e obscuro, como poucos. Com metade da música executada, a banda parte para um medley extraordinário, tocando trechos da minha preferida "Schizo", "Live Like an Angel (Die Like a Devil)", e a inesperada "Calm Before the Storm", retornando para o veloz final de "Possessed". Simplesmente sensacional a reação do público. Quando Cronos nos deu a entrevista, falando que elaborou um setlist especial para esta tour, pescando pelo menos uma música de cada disco que ele gravou com o Venom, ninguém esperava que o "CBTS" estivesse presente, pois este foi um disco menos agressivo que os 04 primeiros, gerando inclusive críticas. A verdade é que "CBTS" traz uma eficiente mistura de Thrash Metal com Heavy tradicional, e até Rock. Não foi o que Metallica e Slayer fizeram, anos mais tarde, com os elogiados "Black Album" e "South of Heaven"?
         

O guitarrista Rage, no Victoria Hall... 

A narração em forma de versos de"At War With Satan" então é iniciada. Essa faixa entrou no setlist do Venom somente há poucos anos. Fizeram uma versão de 06 ou 07 minutos, o suficiente para nos fazer lembrar o impacto que este disco causou, com o lado A inteiro do vinil ocupado unicamente pela faixa-título. Atitude é para poucos!

Luzes novamente apagadas, e os sons e falas de enterro que iniciam "Buried Alive" são ejetados dos amps. Aliás, a inclusão de todas estas introduções em playback, ("Black Metal, "Possessed", "At War With Satan" e "Buried Alive"), reproduzindo ao máximo os efeitos de estúdio, serviu para criar uma atmosfera especial ao show. Voltando, o Venom sempre declarou que a música não precisa necessariamente ser rápida para ser pesada, e "Buried Alive" é uma mostra clara disso. Foi assustador ver toda a platéia gritando o refrão, "convoquem os mortos...".

Adrenalina total...

Danté, baterista que estreou nesta turnê, pareceu se conter para não extrapolar o estilo mais básico das músicas gravadas por Abaddon, e seu desempenho superou as expectativas. Ele usou um kit de bateria relativamente pequeno e simples, e conseguiu fazer viradas muito bem elaboradas, o que serviu de diferencial em relação ao Abaddon, que usava um muro gigantesco em forma de kit (mal dava para ser visto nos shows), e acabava batendo sempre nos mesmos instrumentos. Mas Abaddon é história. E quem é história, nem sempre precisa ser muito bom...

Direto do palco para o nosso museu, um festival de clássicos. Mas faltou "Die Hard"...

O repertório volta à fase mais "recente", com "Evil One", do álbum de reunião "Cast in Stone", "Resurrection", e a rápida "Burn in Hell", do "Metal Black". Três faixas que não me dizem muita coisa. "Resurrection" foi um álbum mais moderno, que renovou o público da banda, sendo o primeiro disco do Venom que muita gente mais nova ouviu.

A próxima foi "Warhead", outra faixa lançada somente em single (um grande carimbo do Venom, nos anos 80, eram esses lançamentos em singles...), e foi outra que contou com a participação intensa do público no refrão. Ela foi seguida pela veloz "Metal Black".

"What? : WARHEEEEEEEEAD!!"

O guitarrista Rage mostrou-se bem entrosado, com uma performance muito boa

ao longo de toda aquela caótica noite.
O bis foi outro ponto alto do show, e "In League With Satan" foi mais uma a contar com sua introdução de estúdio. Abaddon, durante uma entrevista nos anos 80, declarou que esta intro é um trecho do filme "O Exorcista", tocado de trás pra frente, mas nunca dava para saber quando o cara falava sério ou não. Essa é daquelas músicas que são unanimidade entre o público de Black Metal. Totalmente inesperado o fato do Venom, em pleno ano de 2009, ter tocado em um mesmo show as 02 músicas do single que foi o primeiro registro do grupo, "Live Like an Angel/In League With Satan", pois nem mesmo nos clássicos vídeos dos shows nos anos 80 estas músicas apareciam.

 

Quando Cronos começa a esmurrar o baixo, introduzindo "Witching Hour", um dos maiores clássicos do Metal Extremo, era evidente que o show estava em seu último ato. "Witching Hour" tem o melhor "promo video" da história da música. Naquele estilo "fake alive", este videoclipe reúne todos os mandamentos, visuais, musicais e cênicos, para uma verdadeira banda de Metal. É quase didático! Nada, até hoje, foi filmado de modo a superar este vídeo (pode incluir aí todos os filmes da história do cinema, todos os jogos de Copa do Mundo, a chegada do homem à Lua, todos os episódios de Chaves, etc...).

    Rodas e mais rodas na pista do Victoria Hall, fãs mais novos finalmente entendendo o que é um show de Heavy Metal, meninas assustadas, enfim, um pouco de tudo. A banda se despede, com o famoso "we will return". Luzes acesas...

"Obrigado, São Paulo!! We will retuuuuurn!!" 



Visão da pista, calm AFTER the storm (arquivo pessoal)...

 Tocadas lado a lado, a tosqueira ingênua dos 04 primeiros discos, a produção mais bem cuidada do "Resurrection", a tosqueira proposital do "Metal Black", as mais recentes do álbum "Hell", a tentativa final de "Cast in Stone", a fase Heavy mais tradicional do "Calm Before the Storm", enfim, tudo jogado num só liquidificador, acabou resultando em um ótimo show.

"Die Hard" foi a ausência da noite! Esta música fala sobre as Legiões, os seguidores do Venom, fãs de ferro e aço, difíceis de serem derrotados e influenciados.

Seria perfeita para estes shows na América latina...

 

AGRADECIMENTOS:

Társis Alberto (fotos no palco, com exceção da última)

Júlio e Milena (acesso - backstage)