Site "Brazilian Assault - 86" -  2016

 

 

    Entrevista para o Fanzine MOSH (since 1987), a convite do Bruno Buys.

    Está nas páginas 64 - 67 da revista virtual de n. 10. Confira no link abaixo!

 

 

https://fanzinemosh.com.br/wp/jduartedesign/revista/

 


    Transcrição:

 

MOSH: Em 2016 a Brazilian Assault' 86 faz 30 anos! Algum plano especial de comemoração para essa data??
SITE BRAZILIAN ASSAULT - 86: Fala Bruno! Parabéns pela longevidade, e pela história, do excelente fanzine MOSH! Estou sempre ligado! Seria muito bom reunir algumas bandas daqui do Rio, com uma miniexposição sobre o material da Brazilian Assault – 86 (fotos, entrevistas, revistas, material diverso). Adianto que, se rolar mesmo, será algo bem simples e “tosco”, cópias fixadas com tachinhas e fitas adesivas mesmo, essas coisas. O que importa é relembrar dezembro de 86! Quem sabe?


MOSH: Como surgiu a ideia de fazer o site sobre a turnê Brazilian Assault - 86?

SITE BRAZILIAN ASSAULT - 86: No início dos anos 2000, época da euforia virtual, todo mundo estava montando seu site gratuito, pelo Hpg. Era bem ruim, cheio de propagandas, mas foi um passaporte de muita gente para o mundo da internet. A ideia acabou me pegando. O que havia me marcado suficiente para eu colocar online? Poderia ser uma página sobre o improvável e épico título de 92 do Flamengo. Ou sobre filmes como “O Enigma do Outro Mundo”, “Evil Dead”. Mas nada me marcou tanto como o Venom - 86, o primeiro show da minha vida, com apenas 12 anos.

    Comecei com algo bem simples, com apenas algumas matérias da Revista Metal. Em pouco tempo, outras pessoas “compraram” a ideia, e passou a chegar material semanalmente no meu e-mail, inclusive dos músicos que tocaram na turnê (Mike Hickey, Jimi Clare, Dan Beehler...). Os guitarristas do Venom chegaram mesmo a me enviar material por correio! Todos contribuindo de algum modo. Além de apenas receber, acabei me tornando também um caçador de material sobre a turnê, contactando muita gente...
    O Hpg acabou ficando curto para nosso museu virtual. Foi um período obrigatório, mas transitório. Em 2009, optei por ter meu próprio domínio. E agora, estamos de endereço novo:  www.brazilianassault86.com.br       .    Tudo impulsionado pelos nostálgicos Die Hards, com suas contribuições, que não deixam dezembro de 86 morrer! Você mesmo, Bruno, acaba de me mandar um relato sensacional sobre sua ida ao show no RJ!

 

MOSH: Você teve (ou tem) muito retorno dos fãs que foram aos shows da Brazilian Assault, por conta do seu site? Como tem sido a reação deles?

SITE BRAZILIAN ASSAULT - 86: Como disse na pergunta acima, no início, a chegada de material era semanal! Sobre os relatos, a maioria tinha histórias semelhantes a minha, a do meu irmão, a sua: viu o Kiss pela TV, foi (ou não) ao RIR de 85, mas o grande impacto inicial foi com o Exciter e o Venom, naquele dezembro caótico de 86. Tem gente que me escreve depoimentos que parecem mais uma sessão de terapia (rsrs), com agradecimentos eternos, e pede para eu não publicar de modo algum!
    Minha média inicial de acessos era boa. Depois, caiu bastante, até porque os sites acabaram caindo em desuso. Não acompanhei as mídias atuais, como Facebook, twitter, essas coisas. Não fiz uma versão em inglês. Nosso museu não se reciclou. O que é ótimo. É o interessado que deve ir até qualquer museu, não o oposto. Porém, agora, até estamos também no Facebook, basta acessar “Venom - Brazilian Assault' 86”. Mas adianto que o Face será somente uma antessala, uma ponte para o site, algo bem raso.
    Lembro que nosso recorte temporal cobre aqueles 10 dias que o Venom esteve no Brasil, em 86, mais uns 6 meses anteriores (panorama da cena), alguns meses após (período de ressaca do caos), e mais alguns links interessantes, relacionados (ou não). Não somos fã-clube, não representamos a banda, não ganhamos nada como nosso museu. Quem busca informações completas, e material mais abrangente, deve acessar o site oficial, www.venomslegions.com     .
    Recomendo, ainda, o material do Venom Collector, no insuperável museu www.venomcollector.com   .

 

MOSH: Como você descreve a importância da Brazilian Assault 86 na época, para o movimento Metal brasileiro?

SITE BRAZILIAN ASSAULT - 86: Imensa! Até para aprendizado dos produtores.
    O Venom era banda n.1 dos Die Hards do underground, dos “tape traders”. Lembro que as cópias do “promo video” de “Witching Hour” eram uma verdadeira epidemia! Naquele estilo "fake alive", este videoclipe reúne todos os mandamentos, visuais, musicais e cênicos, para uma verdadeira banda de Metal. É quase didático! Pra mim, nada, até hoje, foi filmado de modo a superar este vídeo (pode incluir aí todos os filmes da história do cinema, todos os jogos de Copa do Mundo, a chegada do homem à Lua, todos os episódios de Chaves, etc...).
    Entrar no Maracanãzinho e confrontar aquela massa furiosa, todos vestidos com camisetas da banda, foi testemunhar um indício de vitória do real Heavy Metal. O Venom não tinha apoio algum da mídia, seus discos não haviam sido lançados por aqui (ok, o At War With Satan foi lançado 15 dias antes da turnê). Todas aquelas 23.000 pessoas que pagaram ingresso para os 05 shows (incluindo o de Porto Alegre, cancelado) haviam conhecido a banda através de amigos, ou de algumas poucas revistas especializadas, ou de uma gravação pirata. Era o "compartilhar" e o "curtir" da época...
    Costumo dizer que o Venom é uma ave de rapina horrorosa, e, pior, prenha, passando pelos quatro subterrâneos do mundo, e desovando sua prole. Isso aconteceu também por aqui. Quantos futuros integrantes de bandas estavam naqueles shows? Não dá pra contar...


MOSH: Conte para nós como foram seus contatos com o Venom até hoje? Você os entrevistou para o seu site?

SITE BRAZILIAN ASSAULT - 86: Nada demais. Aliás, como deve ser a relação ouvinte/músico.
    Jimi e Mike me procuraram espontaneamente, através do site, e me enviaram um material riquíssimo. Conheci inclusive o Mike, pessoalmente, no Rio, em 2012. Gente boa ao extremo! Pra quem não sabe, o cara é técnico de guitarra do Joe Bonamassa, e o acompanha nas turnês.
    Sobre entrevistas, pude realizá-las em duas ocasiões: em 2004, em parceria e a convite do Ricardo Batalha. Entrevistamos os três da era “Metal Black”. Saiu na Roadie Crew 64, e também está no meu site; e em 2009, entrevistei o grande Cronos, sendo esta a primeira entrevista para algum órgão da América Latina, abordando a turnê fantástica que a banda faria naquele ano, do México até o Brasil, dias mais tarde. E isso é tudo.

 

MOSH: Você mencionou que em 2016 o seu site será renovado. Quais serão as novidades?

SITE BRAZILIAN ASSAULT - 86: Obrigado pela pergunta, Bruno! As novidades estarão no ar no início de 2016, o ano do trigésimo aniversário. Nosso novo endereço é o www.brazilianassault86.com.br      .

    Adicionei novos materiais, material coletado, enviado, sem créditos. Peço até ajuda neste sentido, se alguém for o detentor ou souber a origem de qualquer foto publicada, que esteja sem créditos, sem definição de lugar, peço que nos comunique!
    Inaugurei a seção “Entrevistas”, onde vou tentar somar algumas entrevistas às já mencionadas anteriormente (Venom 2004 e 2009). Tenho alguma coisa já engatilhada, neste sentido, de bandas e pessoas que eu admiro. Falaremos sobre um pouco de tudo, incluindo, claro, a “Brazilian Assault – 86.”
    Também sendo um modo de comemorar os 30 anos da "Brazilian Assault - 86" (mesmo sem ter muito a ver), inaugurei o link “Porão do Som”, onde estarão digitalizados materiais antigos que fazem parte do meu acervo pessoal (e do meu irmão), sobre bandas diversas. Durante todo o ano de 2016, esta seção será atualizada, sempre no início de cada mês.
    Mudei também a “cara” do site, dando um “ar” (mofado) de museu, biblioteca. Nada muito complexo, profissional. Sou muito raso em internet, computador, essas coisas. Em breve, encerrarei o site, e inaugurarei um museu REAL, no subsolo do Maracanãzinho, onde o Venom tocou, aqui no Rio. Será em uma sala abandonada, toda alagada pelas chuvas (cortesia do nosso prefeito) e infestada por traças, ratos e Aëdes Aegypti (rs).