Relatos (público)

 

    Se você esteve em algum dos 4 shows que o Venom fez pelo Brasil, em 86, e deseja ter seu relato, ou seu material, incluídos neste museu, entre em contato pelo nosso e-mail:

venombr@hotmail.com

 

Qualquer lembrança vale, desde uma descrição completa, até toneladas de fotos, ingressos, credenciais, etc (rsrs...)

 

Airton Diniz - Roadie Crew

    Sem dúvida a presença do Venom no Brasil naquela época foi um acontecimento digno de ficar para a história. Infelizmente a facilidade de acesso aos recursos digitais que existem hoje, e que tornam possível o registro de imagens, ainda não chegava a ser sequer um sonho. Consequentemente eu, com muito otimismo, ainda procurei nos meus arquivos alguma foto e não achei. Consultei o Marcão Marques Vieira - meu parceiro de shows de Metal desde o início dos anos 80 - e que estava comigo naquela quarta-feira, dia 10 de dezembro, no ginásio do Corinthians, mas ele também não tinha foto. Afinal , era proibida a entrada de máquina fotográfica nos shows, e não havia razão levar alguma porque as “selfies” ainda não estavam na moda, e esse costume não combina muito com Metal Extremo, mesmo nos dias atuais.

    Mas aquelas imagens que não puderam ser registradas fisicamente num papel fotográfico ficaram na memória de cada um dos que lotaram aquela quadra de esportes. E não só as imagens, mas também aquele som, que estremeceu as paredes daquele ginásio, deixou marcas profundas em cada headbanger, que vibrou intensamente com o Vulcano, o Exciter e, principalmente, o Venom. Ah, aquele som reverberando naquela precária estrutura...

    Além do Marcão, estava comigo também meu sobrinho Eduardo, cujos tímpanos foram duramente agredidos pela acústica peculiar daquele lugar. Assistimos ao show em pé, nos degraus da arquibancada da quadra, assim meio que de lado para o palco. O som vinha do fundo, à nossa direita, entrava por pelo ouvido do mesmo lado, e o que sobrava da massa sonora batia no paredão oposto, voltava na direção contraria e penetrava ainda muito forte no ouvido esquerdo. Uma sensação indescritível!

    Resultado: ouvidos mais treinados como os meus sentiram menos, mas o Eduardo ficou mais de uma semana curtindo um estranho e assustador zumbido, que não deixou ele esquecer jamais da aventura daquela noite.

    Mas valeu a pena, valeu muito mesmo!

Airton Diniz

Editor da Revista Roadie Crew, Brasil
www.roadiecrew.com

 

 

Bruno Buys - Fanzine Mosh

    Em dez/86 eu tinha quinze anos de idade, e ouvia Rock/Metal desde 83, quando o Kiss veio ao Brasil. Não fui ao show do Kiss, era muito novo. Mas fui ao Rock in Rio, em 85. Naquela época não havia internet, claro, e as informações chegavam a nós de forma muito diferente de hoje em dia. Era tudo de mão em mão, a gente ficava sabendo das coisas através de amigos.

    No show do Venom em 86 fui junto com o Sérgio Barreto e a Rita, que eram donos da loja Point Rock, um reduto dos roqueiros da zona sul. Quando chegamos ao Maracanãzinho, fiquei impressionadíssimo primeiramente com os fãs. Todo mundo com camisas do Venom, muito couro e tachas, tatuagens, muito mais do que eu tinha visto no Rock in Rio, onde o público era mais Heavy do que Black Metal. Uma legião metálica aguardava na entrada no estádio, e a ansiedade era imensa!

    O show em si foi um soco na cara. Foi inesquecível, ainda mais para um garoto de quinze anos que dava seus primeiros passos. A sonoridade, a agressividade, o volume, a atitude da banda...

    A importância desse show para o então nascente movimento Metal brasileiro é indiscutível. Sempre me considerei muito mais Heavy do que Black Metal, mas o Venom é uma espécie de exceção para mim, é uma banda que em termos de legado e importância está à altura de todas as demais do New Wave of British Heavy Metal.

Bruno Buys

Fanzine Mosh, Brasil (since 87!)

www.fanzinemosh.com.br

   

Ricardo Batalha - Roadie Crew

    Caro amigo,
    É sempre bom relembrar grandes momentos! Bem, me recordo de inúmeros fatos durante a passagem do Venom. Este foi o primeiro show de uma banda mais underground que foi realizado no Brasil. E, além disso, o evento contaria com 'opening acts' de respeito, o Vulcano e o Exciter, do batera e vocal Dan Beehler.
    O primeiro fato que me recordo foi a festa de lançamento do LP "At War With Satan", organizada pela gravadora Continental, que ocorreu na semana que antecedeu o show. O evento foi na casa noturna Woodstock, mas os integrantes da banda não estavam presentes.
    No dia do show, que foi no Ginásio do Corinthians, mesmo local que foi realizado o show do Quiet Riot, a entrada foi quase um ato heroico. A PM estava com sua cavalaria a postos e sobrou pra todo mundo. Teve gente que tomou borrachada nas costas, no peito, perdeu o tênis, os óculos, e ficou com hematoma em várias partes do corpo. Isto aconteceu por causa da desorganização na fila, já que ninguém estava fazendo absolutamente nada, a não ser ficar gritando e berrando, à espera da abertura dos portões.
    Enquanto eu estava naquela aglomeração monstruosa, quase esmagado, meu irmão, Frederico Batalha, estava lá dentro, junto do Walcir Chalas, dono da loja Woodstock Discos. Walcir o colocou para dentro, já que ele tinha 14 anos de idade, e não estava mais suportando ficar na "fila". A sorte do meu irmão foi tanta, que ele foi o primeiro a entrar no ginásio!
    Enquanto isso, outros amigos meus estavam tranquilamente jogando basquete, na quadra externa do clube, que fica ao lado do ginásio. Eles chegaram bem mais cedo, e como estavam com camisas da Gaviões da Fiel e do Corinthians, os seguranças pensaram que eles eram sócios e deixaram todos entrar no clube. Essa foi a sorte deles que, ainda por cima, conseguiram almoçar na lanchonete do clube, e alguns até foram tomar banho no vestiário, pois estavam suados, depois de jogar "21" no basquete!!!
    Quem estava usando cinto de bala, jaqueta de couro com pingente, braceletes, e todo o visual característico da época, também foi pego de surpresa. Todos tiveram que deixar os seus adereços em caixas antes de adentrar ao ginásio, com a promessa da PM de que devolveriam no final. Isso, obviamente, não aconteceu.
    Ao entrar no ginásio, lembrei-me daquela lavada que meu time de basquete havia tomado do time do Corinthians. Eu jogava pelo Clube Paineiras do Morumby, e nós perdemos o jogo de 98 a 18!!!! Ridículo! Mesmo assim, por sorte, eu havia sido indicado por um técnico para fazer teste justamente no Corinthians. O técnico me viu, deixou que eu treinasse, e falou: "Você joga bem, tem todos os fundamentos, mas dê uma olhada no meu time. Precisa de mais alguém?". Eu, que já havia sofrido a maior derrota da minha vida naquele ginásio e que, além do mais, torço para o São Paulo, pensei: "Tudo bem, vou jogar na Pirelli e foda-se".
    Voltando ao dia do show, quando entrei a primeira coisa que pensei foi encontrar meu irmão. E não é que ele estava sossegado na lanchonete comendo um misto quente, sem qualquer tipo de preocupação. Os outros, da turma do basquete, pareciam "mauricinhos" , de tão limpos que estavam... Imagine só, camisas do "Welcome To Hell" e do "Black Metal" novinhas, e de banho tomado!!! Deu até raiva...
    Mas quando olhamos para o palco já estávamos viajando, e pensando qual seria o setlist do Venom. Fiquei pouco tempo na pista e fui para a numerada, do lado esquerdo do palco. O set do Vulcano foi legal, mas o som não estava muito bem regulado. O Exciter levantou o público presente, estimado em cerca de 6 mil pessoas. O mais saudado foi o batera Dan Beehler, mas o som também não estava bem equalizado.
    Era chegada a hora. As luzes se apagam, e entram em cena Cronos, Abaddon e.....Bem, Mantas não estava mais fazendo parte da banda e dois guitarristas o substituíram. O que mais impressionou foi a velocidade com que tocaram as músicas. Daria inveja até ao Krisiun! 

    Outro fato que me lembro como se fosse hoje foi aquela rede de futebol, que Cronos ordenou que pusessem na frente do palco (Imagem: Revista Rock Brigade - Edição Especial - 1989). Sei lá se ele estava com medo de que alguém jogaria algo no palco. O set transcorreu bem, mas eu não fiquei o tempo inteiro na numerada. Quando percebi que o show estava caminhando para o final, falei para os outros que queria ver bem de perto. E fui. Não estava trabalhando mesmo... Aliás, para um simples estudante, jogador de basquete, e menor de idade que pegou o carro da mãe e colocou 8 pessoas para ir ao show do Venom, ficar na cara do palco era quase uma obrigação. Pelo menos consegui ver o Cronos de perto!!!
    Anos depois, trabalhando profissionalmente em uma revista de Heavy Metal, como venho fazendo na Roadie Crew, percebi a importância de ter sido um fanático, um radical, quase um lunático, e que se não tivesse me empenhado tanto para conseguir ir ao show do Venom naquela oportunidade, as coisas não teriam tanta graça. Heavy Metal é assim mesmo. A gente sofre, mas vale a pena!

    Um abraço,

Ricardo Batalha
Redator-chefe da Revista Roadie Crew, Brasil

 

 

Fernando S. Filho - Rock Brigade

    Estive no Venom em 86. Foi a matéria de capa de um zine que eu fazia na época, o Metal Guardian, um dos primeiríssimos zines brasileiros a ser impresso em offset. Eu morava em Belém do Pará, e fui ao Rio apenas para ter a chance de ver Venom, Exciter e Dorsal no mesmo palco. Nem sonhava que um dia estaria na Brigade...

    Um abraço,

Fernando Souza Filho
Rock Brigade Magazine, Brasil

www.rockbrigade.com.br

 

Revista Metal Head - Especial Metal Extremo - Abril de 2002

    (...) Mantas deixou o Venom pouco antes da histórica turnê pela América do Sul, em Dezembro de 1986. (...) Quem foi, lembra até hoje da 'balada'. Quem ainda não era nascido, ouve as histórias e se lamenta. A excursão acabou sendo decisiva para a criação de uma cena Headbanger no país, que ainda vivia a ressaca do primeiro Rock In Rio.

 

Claudio Vicentin - Roadie Crew

     Já tinha assistido ao show do Queen pela TV, e o do Kiss eu estava apenas no ginásio de esportes do estádio do São Paulo F.C, porque na época eu jogava futebol de salão pelo Banespa, e tínhamos um jogo agendado para o mesmo dia. Lembro que fiquei deslumbrado com o visual da banda, o público chegando, mas era muito novo, e após meu jogo fui para casa. Não estive no primeiro Rock In Rio pelo mesmo fato, muito novo ainda, e então meu primeiro show de Metal mesmo ao vivo foi o do Venom naquele saudoso e inesquecível dia! Era impressionante ver o público agitando, a banda em ação, e foi uma experiência que entrou direto em minhas veias, porque após aquele dia minha vida virou Heavy Metal diariamente. Não como profissão, o que viria a acontecer somente em 1998, mas como modo de vida.

Claudio Vicentin
Editor da Revista Roadie Crew, Brasil

 

Léo

    Eu tinha acabado de fazer 12 anos, nunca havia ido a um show, e até então a banda mais pesada a tocar no Brasil tinha sido Ozzy Osbourne. Lembro-me bem do dia que um colega de turma, que não entendia nada de Heavy Metal e tinha um péssimo inglês, me avisou do show: "Cara, vai ter show do Venom no Maracanãzinho. Eles são muito pesados, são Black Metal, tocam mais alto que o Motor Vermelho" (referindo-se ao Motörhead). E ainda acrescentou que havia lido uma entrevista onde o Cronos disse que trancaria o Maracanãzinho, e colocaria fogo com todo mundo dentro! Aquilo realmente me assustou um pouco, mas no show o que valeu foi o espírito do Rock and Roll, tudo transcorreu na maior calmaria. Eu era muito novo, não me lembro bem das coisas, mas não pude esquecer a cena do Cronos tomando choque no microfone e saindo do palco, sem dar explicação nenhuma!

Léo
Escritor

 

Marcio - cartunista da Rock Brigade

    Fala véio, demorei pra responder mas taqui a resposta, finalmente! Brigado pelos elogios bacanas, véio! Eu gostaria de dar meu depoimento também, só que ele não vai ser dos mais lindos: eu fui ao show com uns camaradas, era moleque, tinha uns dezenove anos. Só que eu tava bebaço pra caralho, e não me lembro de muita coisa, lembro que tinha uma rede pra galera não jogar lata de cerveja nas bandas, foi muito "punk". O Exciter , que abriu a parada, fez um showzaço animal, com o batera cantando, e o show do Venom mesmo não foi nota mil, eles tavam injuriados com alguma coisa, problemas de produção , sei lá! Naquela época, quase não vinha banda pro Brasil, e as produções dos shows eram umas merdas. Depois, voltamos pro ABC numa "fuqueta" mil novecentos e nada, daqueles caindo aos pedaços , lotada de macho bêbado , que toda hora a gente tinha que parar pra alguém vomitar (risos!!). Vida de peão é foda!... É isso aí!! Valeu o contato! Abraço ,

Marcio
Cartunista - Revista Rock Brigade

 

Leon - banda Apokalyptic Raids

    Eu fui no show de graça. A Rádio Fluminense, no Programa Guitarras, estava dando ingressos para os primeiros que ligassem (dando os verdadeiros nomes de Cronos, Mantas e Abaddon, eu acho). Gastei o dedo no telefone (a disco!) e consegui ganhar um. Ao retirá-lo, descobri que era de arquibancada. Na semana seguinte, novo sorteio, e repeti a dose... Aproveitei pra trocar os dois ingressos de arquibancada por um de pista, com o bilheteiro... 86 foi um grande ano para o Metal... Eu tinha ido no Kiss em 83 e no primeiro Rock in Rio, e desde 1985 tinha me tornado o Venomaníaco que sou até hoje. Problemas de organização à parte, foi a primeira vez que, aos 14 anos, tomei contato real com um mundo que só era antes imaginado ouvindo os LPs importados que aqui chegavam. Eu lembro das caras das pessoas, não acreditando que iriam ver o Venom ao vivo...

Leon 'Necromaniac'
Guitarrista - banda Apokalyptic Raids - RJ

www.facebook.com/apokalypticraids/

 

Edu - Tumba Records / banda Nervochaos

    Cara , muito legal o seu site......inclusive eu fui ao show do VENOM, tenho até hoje o cartaz do show.....com certeza algo que jamais sairá da minha memória. Sou fã da banda desde então!!!! Quando o VENOM veio ao Brasil, eu tinha 14 anos, e estava começando a curtir bandas como: EXCITER, KREATOR, DESTRUCTION, METALLICA, SLAYER, dentre outras mais. Fui ao show do VENOM, aqui em São Paulo, com a abertura do VULCANO, e depois o grande e poderoso EXCITER, e finalmente o ícone - VENOM. Mesmo sem a sua formação clássica, foi maravilhoso escutar os clássicos do VENOM, ao vivo e a cores, foi uma emoção indescritível ver os caras no palco, ainda mais após um destruidor set dos canadenses do EXCITER. Excelente site, que me fez voltar no tempo e ver que os bons tempos não voltam mais.....

Edu
Tumba Records / Nervochaos


Wagner Camargo

    Saudações, na época do Show do Venom no Brasil eu recentemente havia completado meus 18 anos, criei uma expectativa muito grande, seria a primeira vez que eu poderia ver um show de uma banda gringa, e ainda mais do Venom que era uma banda que eu já era fã há pelo menos 3 anos. Ao acabar de vestir minha camiseta com a estampa do disco Black Metal, ouvi um toque na buzina, e lá estavam 2 amigos com quem eu havia combinado a ida ao show. Saímos de Ribeirão Pires (Grande ABC-SP) por volta das 14:00 , nos perdemos umas 2 vezes, e mais ou menos umas 16:00 já estávamos por lá...Não vou mentir, fiquei até com um pouco de medo daquela massa vestida de preto, onde botas, braceletes, e cinto de arrebites imperavam naquela tarde, tudo isto somado às mais altas provas de radicalismo, com alguns bandos arrancando camisas com estampas do Venom de outras pessoas, achando que as mesmas não eram dignas de estar vestindo algo da banda...(Bons tempos...!!!,este tipo de atitude era muito comum em shows naquela época...risos...).

    Após um puta empurra , empurra , consegui chegar até a arquibancada, onde permaneci até o final da apresentação das 3 bandas, onde especialmente eu estava p/ ver o Venom. Um fato que me chamou bastante a atenção foi quando, num daqueles intervalos normais de show, colocaram uma música do AC/DC p/ rolar, e um cara (só p/ lembrar, este cara estava vestindo uma camiseta do Venom) que estava bem próximo de nós, mas em outro setor, levantou e começou a agitar com o som, tinha um pessoal que ficou tão irritado com aquela situação que voaram no pescoço do cara, e deram vários socos, e os mais exaltados gritavam que "como um cara no show do Venom poderia estar agitando uma música do AC/DC?!" (esta foi uma prova da fidelidade e radicalismo dos fãs do Venom daquela época....!!!!). Gosto muito de Vulcano, mas eles foram melhores em seus discos do que naquela noite, mostraram muita garra, mas o som não ajudou. Já o Exciter, acredito ter se dado melhor do que seus outros companheiros de palco. Chegada a hora do saudoso Venom, o público parecia cansado e insano ao mesmo tempo, o calor de Dezembro (aqui no Brasil ) castigou aquela noite, achei eles meio assustados no começo, mas depois se soltaram, até com o Cronos berrando algumas bobagens no microfone. O som estava embolado, não entendi direito aquele entra e sai da banda, tocando alguns sons, saiam, voltavam, tocavam mais....Mas apesar disto, "sobrevivi" àquele show, e relato tudo isto com muito saudosismo, e muitas saudades daquelas épocas, que não voltam mais....VENOM LIVES !!!! Um abração....

Wagner Camargo